Lucinha Araújo é um grande exemplo de força materna. Ficou ao lado de filho Cazuza durante toda a vida, inclusive durante os anos de luta contra a aids, dando o apoio e amor que apenas as mães sabem como dar. Mesmo com a perda de um filho tão jovem, Lucinha continuou sua luta e, hoje em dia, é uma figura materna para muitos jovens soropositivos na Sociedade Viva Cazuza, organização da qual é fundadora. Nesta entrevista exclusiva para o Dia das Mães, Lucinha fala sobre o que é ser mãe, como lidar com a soropositividade de um filho e suas melhores lembranças do Cazuza.

Lucinha e Cazuza, em uma de suas fotos preferidas.
CCA: Há vários anos sua vida é bastante atrelada ao HIV, primeiro com a doença do seu filho e agora com o trabalho desenvolvido na Sociedade Viva Cazuza. Como foi o momento inicial ao descobrir que o Cazuza tinha a doença? Você já conhecia o HIV?
Lucinha: Não sabia quase nada e não imaginava que o HIV fosse bater na minha porta.
CCA: Como você se informou acerca do HIV? E como outras mães que têm filhos soropositivos podem se informar acerca da doença?
Lucinha: Por necessidade, através dos médicos que tratavam Cazuza, quando fui para os EUA que era onde tinha o melhor tratamento na época, para a doença que ainda era desconhecida. Hoje só não sabe dela quem não quer, mas quem quiser se informar existem várias formas, através da própria Viva Cazuza, pelo site www.aids.gov.br e também com outras ONG’s que tratam do tema.
CCA: O apoio materno é essencial durante o tratamento da aids. De que maneira mães com filhos soropositivos podem ajudar seus filhos durante o tratamento?
Lucinha: Apoio materno é essencial em qualquer tratamento, em qualquer época da vida dos filhos. Sendo assim não seria diferente com a aids.
CCA: Hoje em dia, grande parte da educação sexual dos jovens é feita na escola. Você acha que é necessário haver mais envolvimento dos pais e mães neste aspecto da educação dos filhos?
Lucinha: Acho que envolvimento de pai e mãe tem um limite, até porque alguns filhos tendem a não ouvir os pais. Dessa forma, acho que a educação sexual na escola é muito importante também.
CCA: Em sua opinião, qual a melhor maneira de conversar com crianças/jovens sobre o HIV, formas de prevenção e sexo? Como você aconselharia mães de adolescentes a abordarem o assunto?
Lucinha: O bom diálogo entre pais e filhos é fundamental na educação, não só no que diz respeito a sexo. Acredito que as conversas devam ser claras, objetivas e nunca deixando um filho sem resposta. Você pode até dizer que não sabe e que vai procurar se informar melhor, mas nunca o silêncio. É claro que as conversas tem que ser de acordo com a capacidade de compreensão de cada idade.
CCA: Teve algum momento durante a trajetória da doença do seu filho que foi especialmente marcante?
Lucinha: Todos os momentos desde a descoberta até o desenlace foram marcantes, mas principalmente descobri nele uma pessoa corajosa e especial.
CCA: Quando você pensa no Cazuza, qual a primeira coisa que te vem à mente?
Lucinha: "Por que tão jovem?"
CCA: Os grupos de apoio ajudam muitas mães que estão lidando com o HIV. Você frequentou algum? Acha que é importante as mães procurarem este tipo de apoio?
Lucinha: Claro que acho que é importante! Eu, particularmente, não frequentei nenhum, mas meu grande apoio foi e é a Sociedade Viva Cazuza.
CCA: Você conseguiu fazer da sua dor a alegria e esperança para milhares de crianças. Você se sente um pouco mãe dos jovens e adolescentes que a Sociedade Viva Cazuza abriga? Como é esta relação?
Lucinha: Claro que sim, nossa relação é um pouco de tia, mãe e avó, mas sempre com muito amor no meio.
CCA: Pedimos para você escolher sua foto preferida com o Cazuza, em homenagem ao Dia das Mães. Qual a história por trás desta foto em especial que você escolheu? (foto destaque)
Lucinha: Foi uma foto tirada no dia das mães para uma exposição numa galeria de arte.
CCA: Qual a melhor maneira que os filhos podem homenagear suas mães no Dia das Mães?
Lucinha: Dia das mães para mim são todos os dias. Homenageiem sempre!
CCA: Que mensagem você gostaria de deixar para mães que têm filhos soropositivos?
Lucinha: Não abandone seu filho. A companhia e o amor de uma mãe valem tanto quanto um vidro de remédio.